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TOC – TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO -Medos e preocupações fazem parte do nosso dia-a-dia. Aprendemos a conviver com eles tomando certos cuidados. Fechamos as portas antes de deitar, lavamos as mãos antes das refeições ou depois de usar o banheiro, desligamos o celular antes da sessão de cinema ou verificamos periodicamente o saldo bancário de nossa conta. Esses mesmos comportamentos e preocupações, entretanto, podem se tornar claramente excessivos, quando repetidos inúmeras vezes em um curto espaço de tempo e quando acompanhados de grande aflição. É comum, ainda, pelo tempo que tomam, que comprometam as rotinas e o desempenho no trabalho. Isso configura o que, de forma convencional, chamamos de obsessões ou compulsões, sintomas característicos de um transtorno bem mais comum do que se imagina, o TOC.

O que é o TOC e quais são os seus sintomas?

O TOC é um transtorno mental incluído pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-IV) entre os chamados transtornos de ansiedade. Manifesta-se sob a forma de alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (obsessões como dúvidas, preocupações excessivas) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão). Sua característica principal é a presença de obsessões: pensamentos, imagens ou impulsos que invadem a mente e que são acompanhados de ansiedade ou desconforto, e das compulsões ou rituais: comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos, realizados para reduzir a aflição que acompanha as obsessões. Dentre as obsessões mais comuns estão a preocupação excessiva com limpeza (obsessão) que é seguida de lavagens repetidas (compulsão). Um outro exemplo são as dúvidas (obsessão), que são seguidas de verificações (compulsão).

O que são obsessões?

Obsessões são pensamentos ou impulsos que invadem a mente de forma repetitiva e persistente. Podem ainda ser imagens, palavras, frases, números, músicas, etc. Sentidas como estranhas ou impróprias, as obsessões geralmente são acompanhadas de medo, angústia, culpa ou desprazer. O indivíduo, no caso do TOC, mesmo desejando ou se esforçando, não consegue afastá-las ou suprimi-las de sua mente. Apesar de serem consideradas absurdas ou ilógicas, causam ansiedade, medo, aflição ou desconforto que a pessoa tenta neutralizar realizando rituais ou compulsões, ou através de evitações (não tocar, evitar certos lugares).

 As obsessões mais comuns envolvem:

•          Preocupação excessiva com sujeira, germes ou contaminação.

•          Dúvidas

•          Preocupação com simetria, exatidão, ordem, sequência ou alinhamento.

•          Pensamentos, imagens ou impulsos de ferir, insultar ou agredir outras pessoas.

•          Pensamentos, cenas ou impulsos indesejáveis e impróprios, relacionados a sexo (comportamento sexual violento, abusar sexualmente de crianças, falar obscenidades, etc.)

•          Preocupação em armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar.

•          Preocupações com doenças ou com o corpo

•          Religião (pecado culpa sacrilégios ou blasfêmias)

•          Pensamentos supersticiosos: preocupação com números especiais, cores de roupa, datas e horários (podem provocar desgraças)

•          Palavras, nomes, cenas ou músicas intrusivas e indesejáveis.


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O que são compulsões ou rituais?

Compulsões ou rituais são comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos, executados em resposta a obsessões, ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente. Os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar objetos sem utilidade, repetir perguntas, etc. As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade associada às obsessões, levando o indivíduo a executá-las toda vez que sua mente é invadida por uma obsessão. Por esse motivo se diz que as compulsões têm uma relação funcional (de aliviar a aflição) com as obsessões. E, como são bem sucedidas, o indivíduo é tentado a repeti-las, em vez de enfrentar seus medos, o que acaba por perpetuá-los, tornando-se ao mesmo tempo prisioneiro dos seus rituais.

Nem sempre as compulsões têm uma conexão realística com o que desejam prevenir (p ex., alinhar os chinelos ao lado da cama antes de deitar para que não aconteça algo de ruim no dia seguinte; dar três batidas em uma pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça). Nesse caso, por trás desses rituais existe um pensamento ou obsessão de conteúdo mágico, muito semelhante ao que ocorre nas superstições.

Os dois termos (compulsões e rituais) são utilizados praticamente como sinônimos, embora o termo “ritual” possa gerar alguma confusão, na medida em que praticamente todas as religiões e diversos grupos culturais adotam comportamentos ritualísticos e contagens nas suas práticas: ajoelhar-se três vezes, rezar seis ave-marias, ladainhas, rezar 3 ou 5 vezes ao dia, benzer-se ao passar diante de uma igreja. Existem rituais para batizados, casamentos, funerais, etc. Além disso, certos costumes culturais, como a cerimônia do chá entre os japoneses, o cachimbo da paz entre os índios, ou um funeral com honras militares, envolvem ritos que lembram as compulsões do TOC. Por esse motivo, há certa preferência para o termo “compulsão” quando se fala em TOC.

As compulsões mais comuns são:

•          De lavagem ou limpeza

•          Verificações ou controle

•          Repetições ou confirmações

•          Contagens

•          Ordem, simetria, sequência ou alinhamento

•          Acumular, guardar ou colecionar coisas inúteis (colecionismo), poupar ou economizar.

•          Compulsões mentais: rezar, repetir palavras, frases, números

•          Diversas: tocar, olhar, bater de leve, confessar, estalar os dedos.

Compulsões Mentais

Algumas compulsões não são percebidas pelas demais pessoas, pois são realizadas mentalmente e não mediante comportamentos motores, observáveis. Elas têm a mesma finalidade: reduzir a aflição associada a um pensamento. Alguns exemplos:

•          Repetir palavras especiais ou frases

•          Rezar

•          Relembrar cenas ou imagens

•          Contar ou repetir números

•          Fazer listas

•          Marcar datas

•          Tentar afastar pensamentos indesejáveis, substituindo-os por pensamentos contrários


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Obsessões e Compulsões mais comuns - Preocupação com sujeira, contaminação, medo de contrair doenças e lavagens excessivas - Uma das obsessões mais comuns é a preocupação excessiva com sujeira ou contaminação, seguida de compulsões por limpeza, lavações excessivas e da necessidade de evitar tocar em objetos, ou de frequentar lugares considerados sujos ou contaminados. Manifesta-se sob diversas formas, como as relacionadas a seguir:

•          Lavar as mãos inúmeras vezes ao longo do dia;

•          Lavar imediatamente as roupas que tenham sido usadas fora de casa (mesmo limpas);

•          Lavar as mãos imediatamente ao chegar da rua;

•          Trocar excessivamente de roupa;

•          Tomar banhos muito demorados, esfregando demasiadamente o sabonete;

•          Usar sistematicamente o álcool para limpeza das mãos ou do corpo;

•          Lavar as caixas de leite, garrafas de refrigerantes, potes de margarina, antes de guardá-los na geladeira;

•          Passar o guardanapo nas louças ou talheres do restaurante antes de servir-se;

•          Usar xampu, sabão, desinfetante ou detergente de forma excessiva;

Evitações

Os pacientes que têm obsessões relacionadas com sujeira ou contaminação, ou mesmo medos supersticiosos exagerados, adotam com muita frequência comportamentos evitativos (evitações), como forma de não desencadearem suas obsessões. Esses comportamentos, se por um lado evitam ansiedades e aflições, acabam causando problemas que podem chegar a ser incapacitantes, em razão do comprometimento que acarretam à vida diária. Tais restrições são em geral impostas aos demais membros da família o que acaba inevitavelmente provocando conflitos.

Alguns exemplos de evitações comuns em portadores do TOC que têm obsessões por limpeza e medo de contaminação:

•          Não tocar em trincos de portas, corrimãos de escadas ou de ônibus; não tocar nas portas, nas tampas de vasos, descargas ou torneiras de banheiros (ou usar um lenço ou papel para tocá-los);

•          Isolar compartimentos e impedir o acesso dos familiares quando estes chegam da rua; obrigá-los a tirar os sapatos, trocar de roupas, lavar as mãos ou tomar um banho quando chegam da rua;

•          Restringir o contato com sofás (cobri-los com lençóis, não sentar com a roupa da rua ou com o pijama);

•          Não sentar em bancos de praça ou de coletivos;

•          Não encostar roupas usadas “contaminadas”, nas roupas “limpas” dentro do guarda-roupa;

•          Evitar sentar em salas de espera de clínicas ou hospitais (principalmente em lugares especializados em câncer ou AIDS);

•          Não usar talheres de restaurantes ou de outras pessoas da família;

•          Não usar telefones públicos;

•          Não cumprimentar determinadas pessoas (mendigos, aidéticos, pessoas com câncer, etc.);

•          Não utilizar banheiros que não sejam os da própria casa;

•          Evitar pisar no tapete ou piso do banheiro em casa ou no escritório;

•          Não frequentar piscinas coletivas ou tomar banhos no mar.

Na verdade, a preocupação com sujeira, germes, doenças e contaminação é o tema dominante nos pensamentos e preocupações dessas pessoas. Elas os transformam em cuidados e precauções excessivas e impõem esses cuidados aos demais membros da família. Uma paciente, por exemplo, obrigava seus familiares a trocarem a roupa ou os sapatos para entrar em casa; outra obrigava o marido a tomar um banho imediatamente antes das relações sexuais; uma terceira obrigava o marido a lavar a boca antes de lhe dar um beijo ao chegar da rua e ainda uma outra exigia que seu filho de dois anos usasse luvas para abrir a porta. Essas exigências causavam conflitos constantes, o que comprometia a harmonia conjugal e familiar.

Nojo ou repugnância

Nem sempre as evitações estão necessariamente associadas ao receio de contrair doenças ou ao medo de contaminação por germes ou pesticidas. Alguns pacientes referem que evitam tocar em certos objetos, apenas por nojo ou repugnância: por exemplo, tocar em carne, gelatina, colas, urina, sêmen, sem que necessariamente tenham medo de contrair alguma doença específica, ou que passe pela sua cabeça algum pensamento catastrófico específico. O interessante é que esses sintomas também podem desaparecer com o mesmo tratamento – a terapia de exposição e prevenção de rituais utilizada para o tratamento dos demais sintomas do TOC.


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Dúvidas, medo de falhar e necessidade de fazer verificações

Uma das preocupações mais comuns no TOC relaciona-se com a possibilidade de falhar e, em consequência, ocorrer algum desastre ou dano (a casa incendiar, inundar ou ser arrombada). Tal preocupação se manifesta sob a forma de dúvidas, necessidade de ter certeza ou intolerância à incerteza, as quais, por sua vez, levam a pessoa a realizar verificações ou repetições como forma de ter certeza e aliviar-se da aflição.

Quando o sofrimento associado à dúvida é grande, alguns portadores do TOC simplesmente se esquivam de situações de responsabilidade. Preferem não sentir a necessidade de realizar verificações, evitando, por exemplo, sair por último do local do trabalho, não sendo, assim, responsáveis por desligar os equipamentos ou por fechar as portas. Acredita-se que certas características pessoais, como um senso exagerado de responsabilidade e consequentemente medo de cometer falhas, dificuldade de conviver com incertezas, como comentamos, e um elevado nível de exigência (perfeccionismo) desempenham um papel importante no surgimento e na manutenção das obsessões de dúvida e da necessidade de executar verificações.

As verificações são geralmente precedidas por dúvidas e preocupações com falhas e se destinam a eliminá-las.

As verificações devem ser consideradas sintomas de TOC quando repetidas ou quando o indivíduo sente grande aflição caso seja impedido de executá-las. As situações mais críticas, nas quais o impulso de realizá-las é mais intenso são: a hora de sair de casa, antes de deitar, ao estacionar o carro e ao sair do trabalho.

As verificações mais comuns estão listadas a seguir:

•          Portas e janelas antes de deitar ou ao sair de casa;

•          Eletrodomésticos (ferro de passar, fogão, chapinha de alisar os cabelos, TV), gás, geladeira etc;

•          Se as torneiras estão bem fechadas, seguido da necessidade de apertá-la (às vezes de forma demasiada, a ponto de quebrá-la) ou de passar a mão por baixo para se certificar de que não está saindo nenhuma gota de água;

•          Acender e apagar novamente lâmpadas apagadas; ligar e desligar o celular ou a TV de novo, com receio de que não tenham ficado “bem” desligados;

•          A bolsa ou a carteira, para certificar-se que não faltam documentos, chaves, etc.;

•          Se atropelou ou não com o carro alguém que passava na calçada ou ao lado, seguida da necessidade de verificar no espelho retrovisor ou até mesmo de refazer o trajeto para certificar-se de que o fato não ocorreu;

•          Se as portas e os vidros do carro ficaram bem fechados, testando cada uma delas mesmo vendo que os pinos de segurança estão abaixados.

É comum que, além de fazer verificações repetidas, os pacientes toquem com as mãos ou olhem demoradamente os objetos (botões do fogão, torneira do gás, portas da geladeira, lâmpadas). Esses comportamentos não deixam de ser formas sutis de verificação e de eliminação de dúvidas.

As compulsões associadas a dúvidas também podem ser mentais, como reler várias vezes um texto ou parágrafo e recitá-lo mentalmente para ver se foi memorizado corretamente, visualizar repetidamente uma mesma cena ou, ainda, repetir mentalmente uma conversa para garantir que nenhum detalhe tenha sido esquecido, revisar várias vezes um cheque assinado para que não contenha nenhum erro, revisar repetidamente listas para que nada seja esquecido, etc.


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“MAUS” PENSAMENTOS OU PENSAMENTOS IMPRÓPRIOS E PENSAMENTOS SUPERSTICIOSOS

São comuns no TOC os chamados “maus pensamentos”, “pensamentos ruins”, ou simplesmente pensamentos impróprios. Eles geralmente se incluem numa das seguintes categorias: pensamentos agressivos de caráter impróprio ou cenas violentas invadindo a cabeça, chamados popularmente de pensamentos “horríveis”; pensamentos de conteúdo sexual impróprio; pensamentos de conteúdo religioso blasfemo, escrupulosidade excessiva e pensamentos “ruins”, de conteúdo catastrófico. Eles são muito mais comuns do que se imaginava, e eventualmente todos nós temos alguns destes pensamentos em algum momento. É comum, por exemplo, um adolescente imaginar-se momentaneamente fazendo sexo com a mãe ou irmã. Como no mesmo momento se dá conta de que “estava pensando uma besteira”, não dá maior importância à ocorrência de tal pensamento ou de que possa um dia vir a praticá-lo, o pensamento ou a cena desaparecem por si. Já o portador do TOC fica chocado com tais cenas, que são acompanhadas de grande aflição, interpreta sua presença como indicativa de existir algum risco de algum dia vir a praticá-las e tenta, sem sucesso, afastá-las da mente. Passa ainda a vigiar os próprios pensamentos, e, paradoxalmente quanto mais tenta afastá-los ou quanto mais importância der à sua presença, mais intensos eles se tornarão. 

Pensamentos, impulsos ou cenas de conteúdo agressivo ou violento.

NO TOC são bastante comuns pensamentos ou impulsos impróprios, cenas de conteúdo agressivo ou violento. Alguns exemplos:

•          Atirar o bebê pela janela;

•          Intoxicar o filho com venenos domésticos, como raticidas ou gás;

•          Empurrar alguém (uma pessoa idosa, uma criança) escadaria abaixo;

•          Dar um soco numa pessoa ao cumprimentá-la;

•          Jogar o carro em cima de um pedestre;

•          Atropelar pessoas idosas;

Como forma de diminuir a aflição e o medo que acompanha essas obsessões, os portadores do TOC, além de tentar afastá-las da cabeça. Além disso, o medo de que venha um dia a praticá-los leva o paciente a adotar medidas para impedir que possam vir a acontecer como: colocar telas nas janelas para evitar jogar o bebê num momento de descontrole; evitar comparecer a eventos sociais ou cumprimentar pessoas; checar a sacola várias vezes para ver se não tem algum veneno com o qual possa contaminar o filho.


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Pensamentos impróprios relacionados com sexo

São comuns pensamentos, impulsos intrusivos e impróprios ou cenas de conteúdo sexual como:

•          Fixar os olhos nos genitais de outras pessoas;

•          Molestar sexualmente crianças;

•          Abaixar as calças ou arrancar a roupa de outras pessoas;

•          Ter uma relação sexual com um irmão, irmã pais, tios;

•          Violentar sexualmente uma pessoa conhecida ou desconhecida;

•          Praticar sexo violento ou sexo perverso (p. ex. com animais).

É importante destacar que fantasias sexuais de conteúdo excitante e prazeroso, quando folheamos uma revista, assistimos a uma cena ou filme de conteúdo erótico, ou enxergamos uma pessoa sexualmente atraente, fazem parte da nossa vida mental, e não só devem ser consideradas normais como representam um sinal de saúde. É importante destacar: seu conteúdo é agradável, excitante, provoca o desejo e, sobretudo, prazeroso. Já as obsessões de conteúdo sexual impróprio do TOC são acompanhadas de aflição ou angústia, são desagradáveis, são consideradas claramente impróprias ou antinaturais e contrariam os próprios desejos e princípios dos seus portadores. Por esses motivos a consequência imediata, em vez do desejo, excitação ou prazer, é a angústia a aflição, o medo e até a depressão. Por esse motivo são adotadas medidas destinadas a neutralizar esses sentimentos desagradáveis como lutar contra esses pensamentos e tentar afastá-los, ou realizar rituais como lavar-se, confessar-se, rezar, ou aplicar castigos corporais. 

Pensamentos de conteúdo blasfemo

No TOC também são comuns pensamentos de conteúdo considerado blasfemo pelos seus portadores

•          Cenas repetitivas praticando sexo com a Virgem Maria ou os santos (as).

•          Cenas ou pensamentos de conteúdo sexual com Jesus Cristo na cruz;

•          Pensar no demônio ou em “entidades” ou divindades de outras religiões;

•          Dizer obscenidades ou blasfêmias num momento em que todos estão em silêncio durante a missa de domingo.

Essas obsessões são provocadoras de grande ansiedade particularmente em pessoas religiosas. Na religião católica em particular, os pensamentos de conteúdo blasfemo, foram associados à noção de pecado e eventualmente de pecado mortal, representando um risco de condenação ao fogo do inferno. É comum a necessidade de confessar-se repetidamente ou de fazer outros rituais de purificação como rezas, banhos, lavagens ou penitências como forma de neutralizar a aflição associada.

Obsessões ou compulsões de conteúdo supersticioso

Todos nós temos algumas superstições, que fazem parte da nossa cultura assim como da cultura de todos os povos, e eram particularmente comuns entre os povos primitivos. Não passar embaixo de escadas, evitar cruzar com um gato preto na rua, são atitudes que para muitos podem prevenir azares. Bater 3 vezes na madeira dá sorte; deixar os chinelos virados pode dar grande azar. O número 13 é considerado por muitos um número de azar, especialmente se o dia 13 cair em uma sexta-feira. O número 27 é de sorte. Em outros casos, sonhar com um número, pode representar a possibilidade de ganhar na loteria. O que distingue as superstições que fazem parte da cultura, das obsessões como sintomas do TOC é a intensidade com que se acredita nelas, o quanto interferem na vida diária e o grau de aflição que provocam caso sejam contrariadas.


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No TOC as superstições têm alguma conecção
com objetos temidos que ficaram associados a azares (doença, morte) e, como consequência, são evitados objetos ou lugares que possam provocar tais azares. Se você não sai de casa de forma alguma ou se sair é com grande aflição, nos dias que contém o número 3, o número 7, ou números ímpares, ou necessita interromper completamente suas atividades quando o ponteiro dos relógios estiver ultrapassando o número 6, caso contrário poderá ocorrer alguma desgraça, então você pode ter as chamadas obsessões de conteúdo supersticioso ou mágico.

Contar, repetir

Contar mentalmente é bastante comum em momentos de ansiedade. Enquanto você espera o resultado do vestibular no saguão da faculdade ou aguarda na fila do banco ou na sala de recepção do seu médico, mentalmente você passa a contar os quadros na parede, o número de janelas do prédio, de pessoas na fila, ou fica assoviando repetidamente uma música. Essas contagens e repetições são normais, porque, se você desejar, pode interrompê-las sem ficar aflito.

Em portadores do TOC é comum a necessidade de contar mentalmente enquanto realiza uma determinada atividade ou de repetir certas tarefas ou certos comportamentos: contar as janelas dos edifícios; repetir uma reza um número exato de vezes antes de deitar, lavar cada lado do corpo ou escovar os dentes três vezes, ler letreiros ou placas da rua, somar os números das placas dos carros na rua (e eventualmente tirar os noves fora). Outras repetições eventualmente são realizadas num determinado número previamente determinado. Ler ou reler o mesmo parágrafo ou página de um jornal ou de um livro, pôr e tirar uma determinada peça de roupa, atar e desatar o cadarço dos sapatos, apagar e acender a luz, sentar e levantar da cadeira, entrar e sair de uma peça da casa, esfregar o sabonete ou passar o xampu no cabelo um número “X” de vezes, são alguns exemplos muito comuns. O pensamento que está por trás de tais contagens e repetições é de que algo ruim poderá acontecer se tais atos não forem executados na forma ou no número exato de vezes ou pré-determinado, e somente procedendo dessa maneira ritualística você conseguirá impedir o pior. E, se por acaso se distrai, erra a contagem ou não segue exatamente a sequência estabelecida, recomeça tudo, até executar o número exato previamente estabelecido, o que faz com que se sinta um verdadeiro prisioneiro de seus medos e dos seus rituais. Essas repetições podem tomar muito tempo atrasando sua saída mais de casa ou seu trabalho.

Compulsões por ordem, simetria, sequência ou alinhamento

Manter os papéis em cima da escrivaninha ou as roupas nas prateleiras do guarda roupa numa certa ordem é desejável. Mas quando se perde muito tempo alinhando objetos no armário do banheiro, os livros na estante, os pratos e talheres na mesa, ou quando qualquer objeto fora do lugar ou não provoca grande aflição e desencadeando o impulso de alinhá-lo, estamos diante de mais um típico sintoma do TOC.

Também é comum ter que realizar determinadas tarefas numa determinada sequência ou de acordo com uma certa regra. Uma paciente, ao entrar em casa, sentia-se obrigada a contar os quadros da sala em uma determinada ordem (sempre a mesma); uma outra se obrigava ao entrar no edifício e em seu apartamento fazendo sempre o mesmo trajeto: passando entre duas colunas e depois, no apartamento, repassar na mesma ordem todas as peças da casa; um outro paciente tinha uma detalhada sequência de procedimentos antes do banho: alinhava as roupas em uma certa ordem sobre uma banqueta, colocava o tapete de borracha exatamente no centro do boxe e alinhava outro tapete do lado de fora, consumindo entre 10 e 15 minutos nesse ritual.

Armazenar, poupar, guardar ou colecionar objetos inúteis (colecionismo)

É a tendência a guardar e a dificuldade em se desvencilhar de objetos sem valor, ou inúteis, ou demasiados, que passam a ocupar espaços de tal forma a causar transtornos. As pessoas que têm obsessões e compulsões de armazenagem, também chamadas de colecionismo, apresentam ansiedade intensa se necessitam se desfazer de algum objeto, mas ao mesmo tempo têm dificuldade em classificar e organizar e se sentem bem, com grande quantidade de coisas à sua volta.

Nós todos guardamos certos objetos que tem algum valor afetivo. Os portadores do TOC, entretanto, não conseguem distinguir entre objetos de valor afetivo e lixo. Guardar papéis ou recortes de jornais pode ser útil em algumas circunstâncias. Porém, ter prateleiras ou até peças da casa cheias de revistas ou jornais velhos, caixas de sapato vazias, embalagens e garrafas de vazias, recibos de contas vencidas e pagas há muito tempo, roupas que não servem mais ou que estão fora de moda, sapatos que não serão mais usados, etc., pode caracterizar um sintoma do TOC: o colecionismo, ou seja, a tendência a guardar e armazenar coisas inúteis. No caso do TOC são objetos efetivamente sem valor real. Discute-se se os armazenadores constituem ou não um grupo distinto de TOC, pois não respondem aos medicamentos inibidores da recaptação da serotonina, e respondem menos à TCC que os portadores de outros tipos de sintomas. No livro você encontrará um capítulo inteiro sobre o colecionismo – o capítulo 13, no qual esse quadro será abordado com bem mais profundidade.

Lentidão obsessiva

É comum, em portadores do TOC, a lentidão ao executar tarefas. Essa lentidão pode ocorrer em razão de dúvidas, repetições para “fazer a coisa certa ou exata...” (tirar e colocar a roupa várias vezes, sentar e levantar, sair e entrar, etc.), verificações repetidas (trabalho, listas, documentos), banho demorado, tempo demasiado para se arrumar (perfeccionismo), ou do adiamento de tarefas devido à indecisão (necessidade de ter certeza).
TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo - Dr. Aristides Volpato Cordioli

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Sou ou não sou um portador do TOC?

 Eis uma pergunta que você pode ter se feito eventualmente. Provavelmente você ouviu em algum programa de rádio ou TV ou leu em alguma reportagem de jornal ou revista que lavar as mãos seguidamente, revisar várias vezes as portas, janelas ou o gás antes de deitar, não gostar de segurar-se no corrimão do ônibus, evitar usar as toalhas de mão utilizadas pelos demais membros da sua família, não conseguir tocar com a mão no trinco da porta de um banheiro público, ter medo de passar perto de cemitérios ou entrar numa funerária, de deixar um chinelo virado, assim como outros comportamentos semelhantes, podem, na verdade, constituir sintomas do chamado transtorno obsessivo-compulsivo ou TOC. E você deve ter ficado com dúvidas quanto a ser ou não um portador.


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Outra forma de ver:


TOC - TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

O que é?- É uma doença em que o indivíduo apresenta obsessões e compulsões, ou seja, sofre de ideias e/ou comportamentos que podem parecer absurdas ou ridículas para a própria pessoa e para os outros e mesmo assim são incontroláveis, repetitivas e persistentes. A pessoa é dominada por pensamentos desagradáveis de natureza sexual, agressiva entre outros que são difíceis de afastar de sua mente, parecem sem sentido e são aliviados temporariamente por determinados comportamentos.

As obsessões não são meras preocupações excessivas com problemas da vida real.

Compulsão é um comportamento consciente e repetitivo, como contar, verificar ou evitar um pensamento que serve para anular uma obsessão. Acomete 2 a 3% da população geral. A idade média de início costuma ser por volta dos 20 anos e acomete tanto homens como mulheres. Depressão Maior e Fobia Social podem acometer os pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo ao longo da vida.

O que se sente?-Frequentemente as pessoas acometidas por este transtorno escondem de amigos e familiares essas ideias e comportamentos, tanto por vergonha quanto por terem noção do absurdo das exigências auto impostas. Muitas vezes desconhecem que esses problemas fazem parte de um quadro psiquiátrico tratável e cada vez mais responsivo à medicamentos específicos e à psicoterapia. As obsessões tendem a aumentar a ansiedade da pessoa ao passo que a execução de compulsões a reduz. Porém, se uma pessoa resiste a realização de uma compulsão ou é impedida de fazê-la surge intensa ansiedade. A pessoa percebe que a obsessão é irracional e a reconhece como um produto de sua mente, experimentando tanto a obsessão quanto a compulsão como algo fora de seu controle e desejo, o que causa muito sofrimento. Pode ser um problema incapacitante porque as obsessões podem consumir tempo (muitas horas do dia) e interferirem significativamente na rotina normal do indivíduo, no seu trabalho, em atividades sociais ou relacionamentos com amigos e familiares.

Como se faz o diagnóstico?-O diagnóstico é clínico, ou seja, baseado nos sintomas do paciente. Nenhum exame laboratorial ou de imagem é utilizado para o diagnóstico.

Como se trata?-O tratamento deve ser individualizado, dependendo das características e da gravidade dos sintomas que o paciente apresenta. Em linhas gerais, contudo, utiliza-se a psicoterapia de orientação dinâmica ou cognitivo-comportamental associada com tratamento farmacológico (antidepressivos) em doses bem elevadas.Adaptado/alterado/conjugado a ABC da Saúde e Prevenção Ltda.


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