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RESPIRAÇÃO

Respiração, a chave para a meditação

A medicina tradicional tem realizado, cada vez mais, grandes avanços na descoberta de novos tratamentos para as enfermidades que afligem o ser humano. Paralelamente, as terapias alternativas também têm comprovado que, por meio da sensibilidade e das emoções bem-reguladas, é possível aumentar o bem-estar físico e mental.
A meditação é um poderoso aliado do corpo e da alma que consegue, com alguns exercícios, ajustar o que para muitos parece impossível de ser ajustado."A meditação acalma, nos ajuda a encontrar nossa fonte de luz, criatividade, intuição, saúde e fé", garante Ivete Costa, consultora holística especializada em psicologia transpessoal.
A palavra meditação vem do latim (meditare, que significa voltar-se para o centro, no sentido de afastar-se um curto período de tempo do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si). A técnica, ligada a religiões orientais, como o budismo, é considerada tão antiga quanto a humanidade. Atualmente, porém, não é preciso seguir uma seita para praticá-la. "Por não ser religiosa, demorei para me render aos benefícios da meditação, já que achava que teria de rezar ou conversar com Deus todos os dias.
Seria uma coisa forçada", lembra Fernanda Schultz, cantora e professora de inglês, de 30 anos. Foi um amigo do trabalho que apresentou a técnica a ela. "Ele me levou a um espaço lindíssimo e amei. Os meus pensamentos não eram dos melhores naquela época. Foi aí que percebi que não era preciso ter religião, mas sim estar aberta a novas vivências. Minha vida mudou para melhor. É a pura verdade."
Assim como Fernanda, milhares de pessoas tentam encontrar a luz no fim do túnel praticando diariamente a meditação. De acordo com uma pesquisa norte-americana elaborada no ano passado pela Universidade de Massachusetts, mais de 10 milhões de pessoas meditam regularmente somente nos Estados Unidos.
Para que a dedicação dê resultados, é preciso fazer uso de uma importantíssima ferramenta natural: a respiração. Não pense, porém, que é aquela respiração automática - e muitas vezes feita de maneira errada. É preciso reaprender a respirar e, assim, começar a usufruir de benefícios físicos e emocionais.
Segundo a equipe de profissionais da organização não-governamental (ONG) Arte de Viver, quando respiramos errado os pulmões são forçados e acabam precisando se movimentar rapidamente para garantir o fluxo de oxigênio necessário. Como consequência, o coração também é obrigado a acelerar o ritmo para conseguir fornecer sangue suficiente e transportar o oxigênio.
O resultado disso é a desorganização de vários órgãos, principalmente o cérebro, o que provoca reações negativas no corpo, como ansiedade e estresse. E a meditação é vista como capaz de exterminar esses dois vilões.
A respiração correta é como a dos bebês, que inspiram e expiram profunda e lentamente. Quando a pessoa leva ar para a parte inferior dos pulmões, onde as trocas de oxigênio são mais eficazes, tudo no corpo se modifica. O ritmo cardíaco e a pressão arterial diminuem, os músculos relaxam, a ansiedade cessa e a mente se acalma. "Com este tipo de respiração é possível melhorar a má digestão, aliviar a ansiedade, elevar a qualidade do sono, entre outros benefícios. Isso prova o poder da meditação", afirma Cristina Armelin, psicóloga e coordenadora da ONG .
Para alcançar uma forma de respiração mais eficiente, a receita é a prática: exercícios constantes, que podem ser feitos em casa ou nos centros de meditação, em sessões de aproximadamente 20 minutos por dia. Como a respiração correta ajuda a aliviar a mente das frustrações passadas e da ansiedade com o futuro, ela tem a capacidade de trazer o indivíduo para o momento presente, melhorando a sua qualidade de vida. Para muita gente, o problema está exatamente aí, por não saber como esvaziar a mente, principalmente durante o trabalho de meditação.
"No começo, quem é mais disperso terá um pouco de dificuldade para aprender a se desligar", avisa Lucimara Soares, professora de ioga e meditação da Escola Yoga HariOm. Ela, que pratica a técnica de relaxamento há 11 anos, garante que é possível neutralizar os pensamentos com o tempo.
"A pessoa precisa começar a prestar atenção na respiração. Feito isso, quando aquele turbilhão de ideias surgir, o importante é focar em apenas uma coisa por vez. Perceba no que está pensando e volte a focar na respiração." Assim, segundo Lucimara, a pessoa adquire a capacidade de se concentrar cada vez mais na respiração e menos nos pensamentos.
DE PÉ, SENTADO OU DEITADO?
A postura ideal para descansar a mente varia de pessoa para pessoa. "Tem gente que prefere meditar sentado, na chamada posição de lótus, com as pernas cruzadas. Outras gostam de relaxar deitadas em um local macio. O importante é deixar a coluna esticada e sentir-se confortável. Com o tempo, dá para incrementar com outros movimentos e até para meditar de pé", conta.
Para que isso ocorra, é importante ter dedicação diária de no mínimo 15 minutos. "Quando estiver seguro, aumente o tempo até chegar a uma hora.
 

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