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Sexo morno? - Qual casal nunca passou por um período morno na relação sexual? Preparamos algumas dicas de especialistas para te ajudar.

Sinal dos tempos: a terapeuta de casais paulistana Margareth Reis notou que os parceiros estão batendo à porta de seu consultório precocemente. Antes, o perfil típico de seus clientes era o de casais que, ao longo de anos e anos de casamento, viram as brasas do desejo esfriarem até virar cinzas e, por conta disso, querem reacender o fogo sexual. “Hoje, sou procurada por pessoas muito mais jovens; alguns já estão em uma segunda união, percebem que começam a viver as mesmas dificuldades da primeira e me pedem ajuda para dar um rumo novo ao enredo”, diz ela. “Outra coisa que tenho notado é que, cada vez mais, parte do homem a iniciativa de procurar um apoio profissional, não apenas para ele, mas também para a companheira, quando percebe que ela também está insatisfeita com o sexo.” Os consultórios de terapeutas funcionam, assim, como um termômetro ou uma bússola que aponta as principais dificuldades que os casais enfrentam hoje na cama. Por isso, UMA ouviu três tarimbados especialistas nesse assunto que podem dar um panorama dessas dificuldades e apontar saídas. Sem dúvida, informações que podem inspirar qualquer casal – os que estão passando por turbulências e poderão descobrir pistas do que precisam resolver ou aqueles que ainda estão em lua de mel na cama e conseguirão dicas para se vacinar contra os desgastes que possam surgir.

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 Juntos ou separados - Quando o casal chega junto ao consultório da terapeuta Arlete Gavranic, do ISEXP (Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática), na maioria das vezes, é a mulher que começa a explicar os motivos de estarem ali. “Mas já encontramos muitos homens que tomam a iniciativa de quebrar o silêncio. Relatam, principalmente, a falta de interesse sexual por parte de suas esposas e acreditam que a terapia é uma forma de salvar a relação”, conta Arlete.

Em busca do orgasmo ou da satisfação do parceiro? - Segundo a terapeuta, quando a iniciativa de procurar ajuda parte de um ou de outro isoladamente, as queixas têm coloração diferente para homens e mulheres. O problema número um relatado por elas é a dificuldade de conseguir o orgasmo. Mas, de acordo com a motivação para procurar ajuda, Arlete as divide em dois grupos. “Uma parcela dessas mulheres chegam com um desejo grande de viver uma sexualidade com mais qualidade e de experimentar o prazer, desejam viver o prazer com toda a intensidade. A outra, que ainda é composta por um número grande de mulheres, quer aprender a ter um orgasmo para satisfazer o parceiro”, descreve Arlete. Para ela, as do primeiro grupo, com certeza, desfrutam muito mais do processo terapêutico e conseguem ótimos resultados para si mesmas na aprendizagem de rever o corpo, o que acaba trazendo consequências positivas para a relação. “Já a que busca a terapia para aprender a agradar ao parceiro, tendencialmente resiste mais a aderir ao processo terapêutico e fica mais difícil encontrar bons resultados”.

 

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Ejaculação precoce? - Quando a iniciativa de procurar o consultório é masculina, Arlete notou que, por conta do avanço das medicações, tem diminuído o número de homens que chegam queixando-se de dificuldade de ereção. As maiores queixas recaem agora sobre a ejaculação precoce. “Como hoje a mulher demonstra mais o seu desejo, ela fala mais abertamente sobre o seu descontentamento com a ejaculação rápida do parceiro. E isso, para ele, acaba mexendo com a autoestima dele e o leva a procurar ajuda”, entende Arlete.

Interesses divergentes - Se o casal procura ajuda junto, as principais questões que colocam para a terapeuta são a falta de interesse sexual feminino, apontada pelo marido, ou a falta de sensibilidade ou afetividade masculina, apontada pela mulher. “Em síntese, quando chegam separadamente ao consultório, a queixa refere-se à própria dificuldade; quando vêm juntos, trazem um conflito relacional”, resume Arlete.

Cada caso é um caso - Para os casais que a procuram, seja juntos ou separados, Arlete deixa logo claro que a terapia sexual não é um botãozinho, não é uma solução mecânica. Isso porque a sexualidade envolve toda uma questão de afetividade e corporeidade (noção do corpo, dos prazeres do corpo, das sensações desse corpo relacionadas com emoção e sexo) e não apenas técnicas mecânicas. “Então, não é só aprender a apertar um botão que tudo se desencadeia”, conta.

O trabalho é árduo. Se a questão é o desinteresse sexual feminino, por exemplo, é preciso fazer todo um levantamento da história do desenvolvimento sexual da mulher e do casal. Será que ela cresceu aprendendo que isso não era importante? Será que faltou criatividade ao casal para não cair numa rotina? Será que não seria uma falta de comunicação maior, mais sensualizada? Ou será que relação dos dois estaria sendo sabotada porque a mulher foi acumulando mágoas do marido, seja por não se sentir apoiada, por uma traição ou pela falta de criatividade dele? “O que vem com muita frequência é a questão das mágoas de traição”. E ela esclarece que se refere a dois tipos de traição: afetiva – não se sentir apoiada, não sentir nele um companheiro que ajude nos momentos difíceis; e traições conjugais. “Essa questão das mágoas costuma apagar a chama do desejo sexual”, ressalta a especialista. Segundo ela, é importante lembrar que, quando essa mulher chega para a terapia, já passou por avaliação médica, verificou que está tudo bem com os hormônios e não foi detectada nenhuma questão fisiológica interferindo na falta de desejo.

 

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Como ter mais prazer? – O processo terapêutico direciona o casal a resgatar as coisas boas da relação e construir uma nova proposta de relacionamento. “A terapia não pode ser só a lavagem de roupa suja. Seu alicerce é o desenvolvimento de novas atitudes que ajudem na construção de um processo de sensualidade de conquista, de valorização do outro na relação”, afirma Arlete. Mas ela alerta que a terapia só funciona se tiver afeto e disponibilidade para a mudança de ambas as partes.

No caso da queixa delas em relação à falta de sensibilidade deles, o trabalho vai no mesmo sentido, só que focando na conscientização do parceiro para desempenhar um papel mais presente e companheiro na relação. “No processo de construção ou reconstrução da parceria, os dois precisam sentar e ver o que um espera do outro e no que cada um se compromete a dar ao outro para equilibrar a relação”, entende Arlete.

Falta de comunicação - Os casais jovens que procuram o consultório da terapeuta Margareth dos Reis, segundo ela, enfrentam dificuldades, em geral, por idealizarem muito a vida sexual. “Quando o que eles idealizaram não acontece na prática, começam a se frustrar. O problema pode começar com um, mas isso acaba atingindo o casal”, explica Margareth.

Rotina x Fantasia - Há muita fantasia sobre o que é a vida sexual na cabeça de casais mais jovens. A mídia dá contornos exagerados e, na maior parte das vezes, nada reais. Retratam homens sedutores e mulheres totalmente disponíveis para o sexo. As pessoas, em geral, estão muito mais à vontade e cheias de desejos.

Comparado ao cenário espetaculoso produzido pela mídia em geral, o sexo na vida real fica reduzido a quase nada. Homens sempre se dão muito bem nessas relações; mulheres cheias de vontade e vigor na cama em situações inusitadas e para lá de provocantes, bem diferentes do dia a dia da vida de um casal, em que existem problemas de toda ordem influenciando, desde a hora que se acorda até quando se vai dormir. Na vida real, há outros interesses. Os jovens estão interessados em investir mais na carreira e conquistar autonomia. E para isso, é preciso trabalhar muito.

 Com a convivência diária, o casal, ou um deles, percebe que sua vida está muito aquém daquela imaginada. A comparação o leva a pensar que a forma como se relaciona sexualmente com o parceiro tem algo errado. Harmonizar o estresse e o cansaço causado pela rotina com o desejo de uma vida sexual prazerosa é o grande conflito.

 

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Quais as soluções? - “É preciso conversar muito, porque a comunicação costuma ficar falha quando se enfrenta problemas sexuais”, comenta Margareth. Mas, muitas vezes, somente bater papo não resolve. E a comunicação falha traz a hostilidade e a baixa tolerância à relação. Daí pra frente, não precisa nem dizer que a disposição para se aproximar com carinho, admiração e respeito é praticamente inexistente. O homem, por natureza ou mesmo por uma questão cultural, é quem tem maior dificuldade em demonstrar o carinho ou o sentimento que tem pela mulher. Ela, por sua vez, deseja que ele tenha um determinado comportamento, mas age de forma a não conduzir para isso. Ela cobra, se irrita, e isso acaba potencializando a dificuldade desse homem.

A queixa chega aos consultórios por um dos dois ou pelo casal. “A procura por ajuda pode partir de um, e quando o outro aceita participar, faz que o trabalho seja muito mais eficaz, mais rico em termos de aproveitamento de resultados”, explica Margareth.

Agrade o parceiro - A terapia, segundo a psicóloga, baseia-se em fazer que o casal perceba que é preciso construir um relacionamento no dia a dia, criando um clima que favoreça um envolvimento a dois, uma interação que esteja de acordo com o que é confortável para ambos.

Os casais com mais tempo de relacionamento enfrentam o problema do desgaste da relação. A rotina e a falta de renovação empobrecem o relacionamento. Sem atrativos, não há estímulos para a aproximação. Sem falar da falta de paciência e da dificuldade de um entender o outro.

O relacionamento esfria com o tempo, principalmente quando o casal se acomoda e não se esforça para fazer um agrado, uma surpresa, como se, simplesmente, estar com alguém fosse o suficiente para manter a relação saudável.

Carícia e agrado são ingredientes essenciais, eles alimentam o relacionamento. Não é à toa que casais de namorados apaixonados irradiam energia, têm vibração.

“Fazer uma surpresa ou um elogio são necessários no dia a dia. Não precisa ser nada excepcional, um gesto simples tem poder de mudar o clima”, diz ela. Essa iniciativa deve partir dos dois.

Outro problema apontado por casais com mais tempo de convivência é quando existem fatores que interferem na falta de intimidade do casal, o que compromete a privacidade. Isso costuma acontecer quando há outras pessoas morando na mesma casa.

Quando não é possível mudar essa situação, a solução é procurar momentos em que se possa ficar só, como em uma viagem ou mesmo em programas a dois.

 

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 Desejo e ansiedade  - No consultório do ginecologista e terapeuta sexual Amaury Mendes Junior, que também atua como professor e médico do Ambulatório de Sexualidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), boa parte das queixas estão associadas ao desejo.

Cadê o tesão? - Aquele que não se sente desejado pela parceira ou pelo parceiro, sente-se mal. O homem é mais afetado ou, pelo menos, quem mais reclama da falta de desejo da parceira. Ele compara sua vida sexual com o início da relação, quando havia uma vontade incrível de trocar carícias onde quer que fosse e a toda hora. Com a ausência de desejo, é batata, a relação esfria. Cada um se fecha e, o pior, começa a cobrar uma atitude do outro, como se a responsabilidade única fosse do parceiro. Isso, para ele, pode acabar se tornando disfunção erétil ou ejaculação precoce. “Disfunção erétil não é uma doença, é o sintoma de uma doença chamada impotência. Impotência do homem em relação ao mundo”, esclarece Amaury.

Disfunção erétil - O tratamento da disfunção erétil passa, obrigatoriamente, por um diagnóstico para identificar a origem do sintoma. Elas podem ser orgânicas ou psicoemocionais. Também podem estar associadas ao uso de algumas substâncias, como é o caso de alguns antidepressivos, do álcool e das drogas. Afastada a causa orgânica, parte-se para a investigação psicoemocional. Tudo deve ser avaliado, inclusive a forma como a pessoa se sente em relação à sua atitude sexual; se é reprimido, se sente vontade com a outra pessoa, se ela o estimula, se tem vergonha etc. “O tratamento pode apresentar resultado positivo em dez sessões, como também prolongar-se por meses, quando há questões pessoais não resolvidas na infância, por exemplo”.

Gozo fingido? Não dá... - Já a mulher reclama de que o parceiro transa e goza rápido. Ela não se satisfaz e faz uma leitura de que seu parceiro não gosta mais dela. Ela também se queixa da falta de vontade que tem para transar. A situação chega a extremos, e ela finge gozar somente para agradar o homem.

O terapeuta vai ajudar a paciente identificar as causas da falta do desejo. Se ela tem um fundo emocional ou orgânico. A partir daí, o tratamento pode incluir desde a indicação de hormônio, exercício sexual para fazer em casa, aparelhos eletroestimuladores para a irrigação sanguínea na região da vagina, até sessões de terapia que vão auxiliá-la a lidar melhor com a sua sexualidade.  Iracy Paulina e Bia Fugulin

 

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